Todos os dias vamos recebendo uma prova Divina de que o mundo, realmente, está perto de acabar. E olhe que eu não estou falando da Sétima Trombeta, ou Sétimo Selo, ou Besta de não sei quantas cabeças descendo dos Céus para aterrorizar a terra. São as coisas do cotidiano que acontecem, que só nos fazem chegar à essa conclusão.
É uma menina que estava lá no Canadá, que por algum motivo ficou famosa e hoje cobra 15 mil para aparecer. É uma piriguete que pega no sono durante o ato sexual. É uma ex-gestante de quadrigêmeos, que nunca foi gestante, que mais parecia ter engolido a bola do kiko. Ahh, tem as coisas que parecem ter se tornado banais, e de vez em quando pipocam na mídia, filho que mata pai, pais que matam filhos, etc.
Recentemente, venho pensando, que a inversão de valores, a falta de amor e sensibilidade para com os demais, também me parece um prelúdio do "Armagedom", "Apocalipse now" and blá blá blá. Somado a isso, o desespero anda unindo as pessoas. Sim, porque o desespero também une. E acaba por unir pessoas que, pelo menos aparentemente, não tem NADA A VER.
É um medo tão generalizado de ficar só, de não ser correspondido, de não ser feliz, que as pessoas andam se sujeitando a qualquer coisa. E olhe que para alguns, não precisa nem ter todos os dentes na boca não hein?! É aquele ditado, "sorriu pra mim, tô pegando" (Nem sei se isso é um ditado... maaas, até que poderia ser.). Já fomos mais exigentes! (Sim, é uma referência ao "Já fomos mais inteligentes!" rsrs).
Anyway, quando nossos antepassados escolhiam suas parceiras, eles eram mais seletivos, pois a finalidade era ter filhos mais fortes, saudáveis, porque a sobrevivência da espécie estava em jogo. Ser mais seletivos ajudou a evoluir... Mas hoje em dia... Cadê povo evoluído? Cadê catraca seletiva? Cadê selo do INMETRO? Cadê? Geente, só pode ser o fim do mundo!
Esse blog poderia ser igual a tantos outros que você já viu... Mas ele tem lá sua singularidade, ele não é intencional, exceto pela sua vontade esquisita de EXPRESSÃO. Por inteligência, amores e bobagens, esperamos apenas que faça sentido. Podem ter a certeza de que quando nada der certo no dia, aqui no blog existirá, pelo menos uma verdade com que você se identifique... Chegamos família Blogueira!!! Nós somos dois! Nós somos dois!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Sobre as esquisitices do nosso tempo...
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Redenção.
Tão chateado que não consigo nem me expressar. Nem sei
se a palavra é essa. É uma raiva de mim mesmo, uma vontade de autopunição, como
se, ironicamente, já não fosse punido o suficiente. O desejo é de ser
martirizado, subir em praça pública e levar tomates na cara. Talvez a dor e a
vergonha me façam aprender. Não, já passei por isso e não aprendi. Então o quê?
Tão confuso que a resposta mais óbvia, aquela estampada na sua frente, parece
não fazer sentido algum. Já levei os tomates na cara, não aprendi, mas ainda
sim, desejo mais e mais. Talvez agora alguém tenha compaixão. E um pouco de dó
de mim, me façam aprender. Mas também já passei por isso. Então o quê? Sensação
de nada. Droga! Nunca vi nada dizer tanta coisa de uma só vez. Enquanto estou
parado, e nada acontece, nada é sentido, nada é nada, os tomates vêm em minha
direção numa velocidade frenética de todos os lados. Mas nem sinto dor, nem dó,
nem vergonha. Até gosto. É uma sensação de merecimento. Como se tudo que é
jogado em mim fosse uma espécie de pagamento pelo que eu já joguei nos outros.
Sim, também já atirei tomates. A diferença é que dessa vez eu não estou me
defendendo. Nem quero. Quero receber o que mereço. Parei de culpar a vida pelos
meus erros. Os erros são meus. São seus. A vida só vai conduzindo a história.
Os atos são meus. São seus. Não posso exigir mais que isso. Talvez por essa
razão não esteja me defendendo dos tomates. Ao contrário, grito: Joguem. Joguem
mais! Nessa tentativa de sentir dor, misericórdia, e vergonha, espero que tudo
sirva de redenção com a vida. Aceite. Eu também aceito. É esse o meu pagamento.
Trato feito! Ora, e quem sou eu para querer colher flores, se só plantei
desilusão no meu jardim?
Devaneios sobre a felicidade (ou tristeza?) ou apenas uma ostra metida que não sabe nada da vida.
Uma frase, uma simples frase dita por uma amiga esses
dias, me deixou a semana toda encucado. Ela parafraseou Ruben Alves, ao dizer
que “Uma ostra feliz não produz pérola”. Fiquei pensativo... Porque, de todos
os sentimentos e emoções que (re)produzimos, a felicidade, aquilo que todos
desejam e buscam para suas vidas, logo ela seria um dos que não nos serve de
inspiração na hora de produzir? A ostra tem que estar necessariamente triste,
arrasada, de coração partido? Coitada! Devaneando e ouvindo minha playlist, tirando
os hip hop’s com seus “mother fucker”, “yeah!! fuck you” e coisas do gênero, percebi
que o restante das músicas, olhe que maravilha, celebravam a tristeza. A
história de alguém que se foi, um relacionamento que não deu certo [tão
clichê], discriminação, uma dor, lágrimas... lágrimas em forma de arte.
Pérolas. Mas cadê as obras/produções felizes? Porque aparecem em menor número e
muito timidamente? Tenho alguns pensamentos a respeito disso. Talvez as pessoas
felizes ocupem mais o seu tempo sendo... felizes. As pessoas sofrem tanto, que
quando conseguem ser felizes, vão vive-la intensamente. Elas não perdem tempo
expondo sua felicidade para os quatro cantos do mundo. Elas têm mais é que
serem felizes. Urgentemente, de preferência. Antes que acabe, porque lógico,
acaba. Talvez esteja no inconsciente coletivo das pessoas (Jung me ajude
nessa...) o sentimento de dor, de perda, e isso une pessoas com o pensamento em
comum. As pessoas tendem a se identificar com a tristeza, por compaixão ou por
qualquer outra coisa. Choro causa comoção, drama. A arte tende a ser
dramática... têm de ser, para nos tirar do ambiente confortável da mesmice. A
tristeza inspira e movimenta nossas histórias. Qual história venderia mais, a
de um homem feliz, colhendo frutas no seu pomar feliz, com sua família feliz e
estática? Ou a história de um homem triste, que perdeu a esposa em um acidente,
e tenta aprender com as reviravoltas da vida? Sentiu a diferença? A tristeza é
tão mais humana. Tão existencial. Talvez seja só a vida mesmo... a vida tem
essa de ser triste. Pessoas que morrem ao nosso redor, amigos que se vão, as
perdas inevitáveis, sentimentos com prazo de validade. Talvez a vida seja
triste e ao longo do caminho vamos experimentado momentos de felicidade, ou
seria o inverso? Bom, essa ostra aqui, que sim, esta feliz por enquanto,
prefere pensar na segunda opção. Eis o que acredito: esteja você feliz ou
triste o importante é vivenciar cada momento e tirar dele os melhores proveitos
e ensinamentos possíveis. Existe coisas muito boas e ruins tanto na felicidade
quanto na tristeza. Se você tiver numa fase ruim, acredite, a coisa boa esta
lá, uma hora a gente percebe... a vida tem esse senso de humor que nem todo
mundo gosta, nem todo mundo entende! E outra, vai passar... e se isso ainda não
te confortar, lembre-se, nem todo mundo é ostra. Essas sim, nunca produzirão
pérolas!
segunda-feira, 5 de março de 2012
Equilibre os pontos
... como quando bate aquela confusão interna e você não entende por que dói tanto se na verdade você nem deveria lembrar. Como quando você se arrepende tanto por ter ido em frente, quando na verdade você nem deveria ter partido do ínicio. Como quando aquilo te preenche tanto que você nunca vai ousar saber a razão de ter ido tão além de um jeito tão superficial. Você nem sempre vai descobrir as intempéries que te fizeram ter ele fictício ao seu lado. Você só vai saber que ele não está mais ali. Pois muito embora dar certo tenha as mesmas chances de não dar. O não ter dado certo algumas vezes vem acompanhado de uma porção de decepções reais!
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O mundo de Sofia
Era uma noite comum, como todas as outras, daquelas em que nada acontece...
O relógio já marcava 23:00 horas de uma noite chuvosa de sábado.
Aquela chuva que te pega desprevenida e você acaba se molhando por inteira.
Acabara de chegar em casa, ensopada e cansada de um dia inteiro de trabalho. Era jornalista, tinha uma coluna semanal sobre política em um jornal da cidade.
Morava sozinha, em um apartamento modesto, com dois quartos, arquitetado como se um dia tivesse o prazer de preencher aquele quarto com uma família, que sonhava construir.
Porém, era sozinha, nem contava mais os anos e já acreditava que ser sozinha seria seu destino. Era solitária em seus pensamentos, em sua cama vazia, em seu coração vazio. Não por acaso. Tinha o coração marcado de romances falidos.
Acendeu a luz do seu apartamento e tudo o que precisava era se secar, livrar-se de um possível resfriado. E tomar um banho quente para relaxar toda a musculatura tensa de uma jornada de trabalho. Resolveu ligar o rádio. Estava tocando “All by Myself” da Céline Dion.
“Irônico”, ela pensou. Mais uma vez o destino pregava uma peça.
Sentou-se no sofá, e a melodia da canção lhe levou para um momento importante da sua vida. Um momento onde o vazio não existia, onde de fato, era feliz. E sim, era feliz. Porque o tinha. Lembrou de quando o conheceu, do riso bobo e meio de canto da boca quando ele perguntara o seu nome.
“Sofia”, respondeu com os olhos brilhando, e sem saber o porquê, com o coração palpitando acelerado.
Se perdendo pelas lembranças, logo lembrou do dia em que se beijaram, do dia em que sentiu o cheiro e o sabor daquele homem.
Aí vieram os jantares, os dias e noites de amor, tórridos, ardentes, inesquecíveis. Aí vieram os planos, os sonhos compartilhados, as cobranças, e...
Nesse instante, o belo se desfez em uma fração de segundos. As lembranças boas não foram suficientes para sustentar a dor que tinha passado.
Uma lágrima correu-lhe pelo rosto, e misturou-se com as gotas d’agua que ainda encharcavam seu corpo.
Lembrou do fim.
De súbito, correu para a geladeira, na procura de algo que preenchesse sua vida. Um pouco de emoção, serotonina, gordura trans, carboidratos, algo que pudesse ser útil nesse momento.
Encontrou um pote de sorvete que havia comprado semana passada.
Olhou para o céu e disse em voz alta: “Qual é? como se minha vida já não fosse um clichê ambulante...” e riu de si mesma.
Se enchendo de sorvete, começou a acompanhar a canção no rádio, cantando em alto e bom som, enquanto chorava.
“All by myseeeeelf, don’t wanna be, all by myseeeeeelf. Anymoooore”.
E lembrou-se, mais uma vez, de tudo que havia passado. Do término, do adeus.
[...]
Após alguns minutos, percebendo a cena ridícula do “Diário de Bridget Jones” que acabará de recriar, levantou-se apressada e guardou o sorvete novamente na geladeira. Engordar não seria um problema a mais na sua vida. Ela não iria permitir.
Enxugou as lágrimas com as mangas do seu casaco e desligou o rádio. Sua vida não iria parar por aquilo, tampouco os problemas iriam se resolver daquele jeito.
Foi pro seu escritório, abriu o notebook.
Lembrou que tinha um artigo para terminar.
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